terça-feira, 9 de outubro de 2012

Venezuela: Oposição é reinventada no país

O cenário midiático durante a campanha presidencial na Venezuela foi permeado por ameaças e acusações. O atual presidente Hugo Chávez acusou os veículos de mídia privada de manipular informações e promover “terrorismo midiático”; já críticos e partidários do candidato de oposição Henrique Capriles alegaram que houve perseguição à imprensa. O jornalista Leonardo León revelou, pelo Twitter, ter sido ameaçado por um simpatizante do governo conhecido como “imperatus Josue”. León criou o site Comunicacion Continua e tuíta regularmente mensagens de apoio a Capriles. As eleições realizadas no domingo (7/10) deram vitória a Chávez.

Uma análise da BBC revelou que, mesmo com o aumento de emissoras públicas na Venezuela (de uma para cinco), os canais estatais têm apenas 5,4% da audiência, de acordo com dados da empresa AGB Panamericana. Mas, com a obrigatoriedade de transmissão dos discursos de Chávez pela reeleição também nas emissoras privadas, a repercussão é maior. Segundo a ONG Espacio Público, trata-se de uma forma de “censura continuada”, pois são produzidas “restrições à liberdade de expressão de quem emite as mensagens e ao mesmo tempo restringem os direitos de quem quer recebê-las”.

Nova opção no imaginário dos cidadãos

Independentemente do resultado das eleições, a oposição venezuelana e Capriles já conseguiram estabelecer um imaginário dos cidadãos como uma opção crível de governo, capaz de elaborar um projeto que oferece esperança às classes populares sob uma bandeira democrática.

Grande parte do mérito desse novo curso se atribui ao carisma de Capriles, ganhador de eleições primárias organizadas de forma impecável, que representa uma nova geração de políticos venezuelanos. A mudança, na realidade, não começou com Capriles, mas faz parte de um processo mais complexo, promovido há alguns anos por veteranos que se empenharam em afastar o lastro do “golpismo” e “abstenção” que tanto prejudicou a credibilidade da oposição venezuelana.

Um dos promotores é Teodoro Petkoff, ex-guerrilheiro comunista, fundador do socialismo democrático no país, ex-ministro do último governo de Rafael Caldera e destacado jornalista com um brilhante desempenho como diretor do jornal Tal Cual. Petkoff acaba de ser reconhecido com o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia, em Nova York, dedicado a jornalistas que se sobressaíram na cobertura do hemisfério ocidental. A cerimônia de entrega do prêmio será no dia 25/10. Com informações de Isabela Fraga [Knight Center for Journalism in the Americas, 4/10/12 e 5/10/12] e de Carlos F. Chamorro [Confidencial.com.ni, 6/10/12].


Fonte: Observatório da Imprensa

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