Convicção
Numa sociedade de muito relativismo encontramos também muitas pessoas convictas das verdades que professam e do ideal de vida abraçado. Não cedem às tentações de lucro fácil e de desvios de conduta, mesmo com ofertas de grandes “propinas” . Precisamos de melhorar as coordenações chaves, com encaminhamento de vida de pessoas com maior grandeza de caráter. Teremos famílias mais construtoras de ideal de vida, com a formação de valores éticos e morais adequados a uma convivência de verdadeira cidadania. Elegeremos mais pessoas para cargos políticos comprometidas com a vida digna e o bem comum, não tendo desvios de conduta e sim a prática e o ideal de servir.
A narrativa bíblica dos Macabeus nos apresenta verdadeiro exemplo de quem tem valores e age em base à fé religiosa. Preferiram unir o povo para enfrentar as autoridades que queriam opor-se à suas profundas convicções. Lutaram até à morte e não cederam aos opositores, como disse um dos membros da família: “Prefiro ser morto pelos homens, tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará. Para ti, porém, ó rei, não haverá ressurreição para a vida!” (2 Macabeus 7,14).
O “dar um jeitinho” em relação à ética e à moral significa estar conivente com o ilícito. Não é próprio de quem tem consciência formada em relação à verdade, à justiça e à fraternidade. Esses valores não se referem somente ao que é estritamente religioso. Tratam-se, em primeiro lugar, de valores inerentes à vida e à dignidade humana, como a preservação e a promoção da vida, à dignidade da família, ao respeito ao que é do outro, ao bem comum, à defesa dos marginalizados e dos fragilizados...
Se tivéssemos mais pessoas nas lideranças e em todas as organizações, mormente nos poderes constituídos por eleição ou escolha para cargos públicos, teríamos mais justiça social. O caráter bem formado dessas autoridades já seria uma garantia para todos, de termos um serviço público de melhor qualidade e de real efeito, sendo promotor da cidadania.
Precisamos trabalhar muito e ainda mais para nosso povo ter também a convicção de seu papel importante na escolha dos dirigentes e de quem trabalha nas organizações com cargos eletivos. A melhora e o aperfeiçoamento das leis para a promoção da justiça pública merecem também atenção especial para que façam melhor justiça para com os injustiçados. O trabalho advocatício não pode servir para provar a “inocência” de quem é culpado. A convicção da verdade deve reger a conduta de quem realmente defende o bem e a realização do que é justo.
A formação da consciência reta eticamente deve ser um trabalho contínuo da família e das organizações sociais, para termos resultado eficaz e de bem para todos. Se os meios de comunicação fossem utilizados para isso, teríamos mais conseqüências positivas na educação para valores. Alguns deles parece que se interessam quase só pelo ganho de dinheiro e não pelo lucro de grandeza ética, cidadã e moral. O papel da escola deveria ser guardiã da formação para a verdade, a justiça e o respeito à dignidade humana.
D. José Alberto Moura, CSS - Arcebispo Metropolitano de Montes Claros
Fonte: Arquimoc
O Corpo de Cristo vive na Terra, onde há liberdade para organizar a conduta humana. A Política deve estar ordenada à Fé. EuPolítico: Combate, palavras, notícias, idéias e anúncio.
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quinta-feira, 14 de novembro de 2013
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Dom José Alberto Moura. Artigo sobre "Cilada" no meio político
"A melhor maneira, porém, de fazer a propaganda política e outras é mostrar os próprios valores"
É muito comum práticas de armar ciladas para derrubar a quem tem ideias, ideais e valores conflitantes com os de determinadas pessoas. Na política isso parece ser mais usual ainda. Destruir o outro é demonstração de pequeneza de caráter e meio ignóbil de querer convencer os eleitores a não votar nos outros. A melhor maneira, porém, de fazer a propaganda política e outras é mostrar os próprios valores, os bons feitos e os programas de ação para o melhor serviço de esclarecimento às pessoas.
A verdade e o bem muitas vezes incomodam a quem não os tem. A Palavra de Deus reconhece-o claramente: “Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei” (Sabedoria 2, 12). Por isso, o maldoso prova e até persegue e faz condenar injustamente o inocente. Foi o que fizeram com Jesus. Mas a vitória não é de quem consegue condenar a quem não o merece, apesar da justiça humana muitas vezes ser falha. No encalço do Mestre é vitorioso quem o imita na pertinácia da realização da missão. A ética assumida e vivida fala mais alto do que a mentira e a falta de respeito em relação ao bem do outro e da comunidade. Precisamos formar pessoas, desde o berço, para a altivez de caráter e a prática da promoção da vida e defesa da dignidade humana, da verdade e da justiça. A religiosidade baseada no amor de Deus faz a pessoa dar frutos de promoção da vida em plenitude, sem se deixar levar ao desânimo por encontrar a correnteza ao contrário.
O apóstolo Tiago lembra a necessidade de vivermos conforme a sabedoria vinda de Deus, que leva a pessoa a superar a ambição, a cobiça, a inveja e todo tipo de desordem (Cf. Tiago 3, 16.17). As consequências benéficas advêm na prática da justiça e na promoção da paz. De fato, quem tem a consciência reta, com os valores maiores indicados por Deus, dá base de estruturação do tecido social com benefício para todos. Felizmente temos pessoas assim formadas e conduzidas. A sociedade não é destruída como um todo devido ao ser e agir de tais pessoas. Mas precisamos multiplicá-las para a garantia da convivência mais harmoniosa. Fundamental para isso é a família bem construída. A correnteza em contrário é promovida por grupos materialistas de interesse consumista, usando de parte da mídia para veicular enganosamente o hedonismo como fonte de felicidade, mas, fugaz. Sem valores permanentes e ideal elevado de vida não se constrói a base para o progresso plenamente realizador do ser humano.
Jesus enfrenta todo tipo de cilada, mas não abre mão de sua missão, enfrentando os opositores, mesmo com o sacrifício total de si. Mas esmagou o projeto dos opositores com o contrário da agressão. Venceu pelo amor. Sua ressurreição provou que seu método divino é o remédio para todo tipo de oposição aos valores de seu Reino. Quem vence não é a força física ou a proeminência social e sim quem dá de si pelo bem do outro, até dos inimigos: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” (Marcos 9, 37). Quem se opõe a isso sai perdendo! A lógica de Jesus é a do amor, que leva a pessoa a promover o bem do semelhante.
Dom José Alberto Moura
Arcebispo metropolitano de Montes Claros
Fonte: Arquimoc
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