Parlamentares e debatedores questionaram nesta quinta-feira (09), em audiência pública da Comissão Especial da Demarcação de Terras Indígenas, que debate a PEC 215/00, a ampliação da reserva Terra Indígena Governador, localizada no município de Amarante (MA).
O diretor de Assentamento e Desenvolvimento Rural do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão, Levi Pinho Alves, disse que a expansão da reserva indígena vai atingir cerca de 400 famílias que foram assentadas pelo governo federal.
Ele afirmou que não há lugar para realocar as famílias que sairiam, caso haja nova demarcação na área. Segundo ele, a ampliação das reservas indígenas em municípios que já tenham áreas demarcadas tem gerado insegurança jurídica: “Quem vai querer investir em uma área que poderá ser demarcada novamente?”
Interesses
O advogado da Comissão Permanente em Defesa dos Proprietários e Agricultores de Amarante, Luís Antônio Nascimento Curi, disse que há interesses pessoais, financeiros e acadêmicos de lideranças e antropólogos da Fundação Nacional do Índio (Funai) em expandir as reservas indígenas.
Segundo Curi, a Funai não comparece às reuniões e debates sobre o assunto. “O que está acontecendo é que grupos ligados às organizações não governamentais que trabalham para possibilitar grandes obras de infraestrutura acabam interferindo no real papel da Funai de assistir os índios”, denunciou.
O presidente da Comissão Permanente em Defesa dos Proprietários e Agricultores de Amarante, Emanuel Oliveira, ressaltou que há interesses internacionais nas reservas indígenas, que são ricas em biodiversidade e em recursos naturais como água e minérios, em especial o nióbio.
Ele lembrou que o Supremo Tribunal Federal, quando demarcou a reserva Raposa Terra do Sol, em Roraima, já determinou que não se pode ampliar reservas indígenas.
Mobilização
O deputado Weverton Rocha (PDT-MA) defendeu a mobilização dos parlamentares para evitar que os processos de demarcação continuem a desapropriar agricultores de suas terras da maneira como tem sido feita nos últimos anos. “O grande problema do índio hoje no Brasil não é terra, é política pública: saúde, educação, alimentação digna”, disse.